Modelo simples de investimento cria rendimento semanal, gera emprego e está a ganhar força em Maputo e noutras cidades do país
Nos últimos meses, um modelo de negócio simples e silencioso está a ganhar cada vez mais espaço nas ruas de Maputo e noutras cidades de Moçambique. Trata-se do investimento em motas de baixa cilindrada, popularmente conhecidas como cinquentinhas, que está a permitir a muitos pequenos investidores multiplicar capital e criar rendimento regular.
Enquanto grande parte das pessoas procura oportunidades complexas no mercado financeiro ou no sector imobiliário, este modelo destaca-se pela sua simplicidade operacional e baixo custo de entrada.
Como funciona o modelo das motas cinquentinhas
O modelo baseia-se numa parceria entre o investidor e um motorista.
O investidor adquire uma mota cinquentinha por cerca de 38.000 meticais e entrega o veículo a um motorista previamente selecionado. Em contrapartida, o motorista compromete-se a pagar 2.000 meticais por semana, normalmente todas as sextas-feiras, durante um período aproximado de 18 meses.
No final do contrato, a mota passa a ser propriedade do motorista.
Ao longo desse período, o investidor recebe um total aproximado de 144.000 meticais, resultantes dos pagamentos semanais.
Um modelo que vai além do retorno financeiro
Apesar de os números chamarem a atenção, o impacto deste modelo vai muito além da rentabilidade.
Trata-se de uma relação de parceria considerada vantajosa para ambas as partes. O investidor garante um fluxo de caixa previsível e contínuo, enquanto o motorista passa a ter uma fonte imediata de rendimento e a possibilidade real de, ao fim de 18 meses, tornar-se proprietário do seu próprio meio de trabalho.
Cada pagamento semanal representa, para o motorista, não apenas uma obrigação financeira, mas um passo concreto rumo à autonomia económica.
Manutenção e seguro reduzem conflitos
Em muitos dos acordos existentes, o investidor assume os custos de manutenção e seguro da mota. Esta prática tem contribuído para reduzir conflitos, facilitar a gestão do negócio e permitir que o motorista se concentre exclusivamente na actividade de transporte e geração de receitas.
O facto de saber que a mota passará a ser sua no fim do contrato aumenta significativamente o nível de cuidado e responsabilidade do motorista sobre o veículo.
Pequenas frotas já começam a surgir
Em Maputo e na Matola, já é possível encontrar empreendedores que começaram com apenas uma mota e hoje operam pequenas frotas com 10, 15 ou até 20 motas em circulação.
Além do retorno financeiro, este modelo tem vindo a criar postos de trabalho e a contribuir para a melhoria da mobilidade urbana, num contexto em que o transporte informal continua a desempenhar um papel relevante na economia local.
Democratização do empreendedorismo em Moçambique
Uma das principais características deste modelo é o seu baixo nível de barreiras de entrada.
Não são exigidos contactos especiais, estruturas empresariais complexas nem grandes investimentos iniciais. Para começar, basta dispor do capital para adquirir a mota, identificar um motorista de confiança e estabelecer um acordo claro entre as partes.
Este formato tem permitido que pequenos investidores, trabalhadores por conta própria e jovens empreendedores encontrem uma alternativa real de negócio num contexto económico marcado por limitações de acesso ao crédito.
Um negócio simples, mas com impacto real
O crescimento do investimento em motas cinquentinhas demonstra que, em muitos casos, as oportunidades mais eficazes surgem de modelos simples, directamente ligados às necessidades do dia-a-dia da população.
Nas ruas de Maputo e de outras cidades moçambicanas, este tipo de negócio está a consolidar-se como uma solução prática para geração de rendimento, criação de emprego e promoção do empreendedorismo de base local.
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