Citados numa publicação do jornal O País, os dois dirigentes afirmam que o actual líder da Renamo está a hipotecar o futuro do partido, promovendo tribalismo, perseguições internas e uma governação que consideram deficiente.
Segundo António Muchanga, a Renamo vive um momento crítico e corre o risco de desaparecer caso não haja mudanças profundas na liderança.
“Nós queremos um partido vivo, queremos um partido dinâmico. O presidente Ossufo já deu o que tinha a dar, está cansado. Senhores, não podemos brincar de deixar a Renamo morrer”, declarou Muchanga, citado pela mesma fonte.
De acordo com o dirigente, o partido encontra-se num processo contínuo de enfraquecimento, situação que atribui à má governação interna e ao alegado tribalismo promovido por Ossufo Momade.
Muchanga criticou ainda a actual forma de escolha dos delegados provinciais e distritais, alegando que o presidente do partido concentrou em si competências que, no passado, eram exercidas de forma colegial.
“A primeira questão é que o Dhlakama morreu e deixou-nos com o direito de eleger. Entretanto, Ossufo Momade trouxe-nos as nomeações. Os delegados provinciais eram eleitos por proposta da Comissão Política Nacional. Ossufo retirou isso. Quem nomeia os delegados provinciais e distritais é ele. Ele nem sequer faz as reuniões regulares”, afirmou.
O dirigente recordou igualmente que os estatutos da Renamo determinam a realização de, pelo menos, dois Conselhos Nacionais por ano, algo que, segundo disse, não tem sido cumprido, apesar da disponibilidade de recursos financeiros provenientes do Estado, dos assentos parlamentares, do Gabinete do Líder da Oposição, das quotas dos membros e dos parceiros de cooperação.
Para Muchanga, Ossufo Momade não apresenta uma visão clara para a condução do partido.
“A actividade do nosso presidente é imitar o que os outros fazem. Não é proactivo, é imitador. Então nós precisamos passar desta fase de macacos imitadores para sermos pessoas proactivas”, afirmou.
Por sua vez, Alfredo Magumisse reconheceu que a situação interna da Renamo é preocupante e defendeu mudanças profundas na liderança.
Segundo Magumisse, a democracia interna deve prevalecer e o presidente do partido deve abrir espaço para um debate amplo sobre o futuro da organização.
“A democracia significa concordar com aquilo que a maioria diz. O partido sofreu uma derrota jamais vista. O presidente Ossufo tem que abrir espaço. Não digo que temos que sair daqui, pegar um pau e dizer sai Ossufo. Não. Tem que haver espaço para um debate amplo. E ele tem que conduzir a transição dentro do partido para que haja um novo líder capaz de trazer um novo ar fresco dentro do partido”, declarou.
Ossufo Momade é igualmente acusado de promover perseguições contra membros que se posicionam contra a sua liderança.
Para os membros da Renamo, conhecidos como “perdiz”, a solução para a crise interna do partido passa, necessariamente, pela retirada de Ossufo Momade da presidência.
Entretanto, os desmobilizados da Renamo reuniram-se, neste sábado, com o objectivo de impulsionar a realização de um congresso extraordinário.
Segundo o porta-voz do grupo, Abdul Machava, o encontro visa encontrar um mecanismo político e estatutário para afastar o actual líder do partido.
“O objectivo é encontrar um mecanismo para afastar Ossufo Momade, porque ele já tem que sair. Aquilo que os colegas aqui vão decidir é aquilo que nós todos vamos seguir”, afirmou.
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