António Muchanga criticou publicamente a liderança do seu partido e afirmou que a direcção ignorou os alertas feitos pelas bases durante a campanha eleitoral.

Segundo Muchanga, durante a campanha de 2023, vários eleitores manifestaram descontentamento com a candidatura de Ossufo Momade às presidenciais, defendendo a necessidade de uma alternativa.

“O povo dizia-nos que nos daria o voto, mas que em 2024 não queria Ossufo Momade como candidato. Não quisemos ouvir e fechámos os olhos”, declarou.

Muchanga afirmou ainda que foi alvo de críticas internas por ter apoiado Ossufo Momade, apesar de, segundo disse, ter vencido eleições internas em 2023.

“Ganhei eleições em 2023 e fui prejudicado. Organizámos manifestações, mas a direcção mandou interromper, dizendo que voltaríamos no ano seguinte. Até hoje estou à espera de orientações para retomar essas acções”, afirmou.

Na sua intervenção, Muchanga considerou que a escolha do candidato presidencial acabou por prejudicar o partido, defendendo que a liderança deveria ter mantido Ossufo Momade apenas como presidente da organização e apresentado outro candidato às eleições.

Segundo explicou, também não houve entendimento com Venâncio Mondlane, sem que, até hoje, as razões tenham sido esclarecidas à base do partido.

“Já tínhamos alertado que era necessário encontrar outro candidato. Infelizmente, a direcção não quis ouvir. Agora o povo está a perceber o que se passa”, disse.

Muchanga acrescentou ainda que, no momento oportuno, irá revelar mais informações sobre o processo interno que levou à escolha da candidatura, reiterando que existem factos que, por agora, prefere não tornar públicos.

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