Venâncio Mondlane revela ameaças à vida, faz balanço da “tomada de posse simbólica” e denuncia repressão em Moçambique

O político moçambicano Venâncio Mondlane voltou a pronunciar-se publicamente sobre os acontecimentos que o levaram a abandonar Moçambique em 2024, alegando ter sido alvo de ameaças directas à sua vida. Segundo Mondlane, havia agentes à paisana posicionados para o abater, situação que o forçou a sair do país por razões de segurança pessoal.

Após um período de asilo no estrangeiro, Mondlane regressou a Moçambique a 9 de Janeiro de 2025, data em que protagonizou uma cerimónia simbólica de tomada de posse no Aeroporto Internacional de Maputo, onde se autoproclamou “presidente legítimo eleito pelo povo”. O acto, de natureza política e simbólica, foi posteriormente replicado no mercado informal da Estrela Vermelha, com o objectivo declarado de aproximar a política dos cidadãos comuns.

Balanço de um ano: “despertar da consciência cívica”

Ao fazer o balanço de um ano desde a tomada de posse simbólica, Venâncio Mondlane afirmou que o país registou avanços significativos na cultura cívica e política, defendendo que os moçambicanos estão hoje mais conscientes dos seus direitos, deveres e papel na sociedade.

“Este povo não tinha noção. Havia uma fenda colocada nos seus olhos sobre o que realmente significa ser moçambicano”, afirmou.

Mondlane sustentou ainda que cerca de 90% das medidas actualmente implementadas pelo Executivo da FRELIMO teriam sido inspiradas no seu programa político e nas propostas da sua equipa de assessores, embora, segundo ele, sem qualquer reconhecimento oficial por parte do Governo.

Denúncias de violações dos direitos humanos

Apesar de apontar sinais de mudança na consciência cívica, o político considerou que Moçambique continua mergulhado numa grave crise de direitos humanos. Mondlane denunciou uma repressão sistemática, alegando que:

  • Mais de 3.500 pessoas foram assassinadas

  • Mais de 3.000 cidadãos foram detidos

  • Cerca de 2.000 pessoas ficaram com sequelas físicas e psicológicas permanentes

Segundo Mondlane, estas situações resultam da actuação do regime, que, alegadamente, continua a recusar assistência às vítimas e às suas famílias.

“Renovação do contrato social” com o povo

No encerramento do seu discurso, Venâncio Mondlane declarou estar a “renovar o contrato social” com o povo moçambicano, reafirmando o seu compromisso com a mobilização política e cívica, em defesa da democracia, justiça, responsabilização e direitos fundamentais.

O político garantiu que continuará a lutar para reverter o actual cenário, exigir responsabilização dos alegados autores das violações e pressionar o Estado a assumir a protecção efectiva dos cidadãos.

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