Uganda: Bobi Wine denuncia ataque à sua residência, prisão domiciliar da família e rejeita resultados eleitorais

O candidato presidencial ugandês pelo National Unity Platform (NUP), Robert Kyagulanyi Ssentamu, conhecido como Bobi Wine, denunciou um alegado ataque das forças de segurança à sua residência, localizada em Magere, nos arredores de Kampala. A denúncia foi feita através de uma declaração pública divulgada na sua página oficial do Facebook, na noite de 16, num contexto de elevada tensão política após a divulgação dos resultados eleitorais.

Segundo Bobi Wine, a noite foi marcada por uma operação conjunta da polícia e das forças militares, que incluiu o corte de energia eléctrica, a desactivação de câmaras de vigilância e a presença de helicópteros a sobrevoar a residência. “Ontem à noite foi muito difícil na nossa casa em Magere. Os militares e a polícia atacaram-nos”, afirmou o candidato.

O líder da oposição confirmou que conseguiu escapar da operação, encontrando-se actualmente fora de casa, por razões de segurança. No entanto, revelou que a sua esposa e outros membros da família permanecem em prisão domiciliar. “Quero confirmar que consegui escapar deles. Sei que estes criminosos estão à minha procura em todo o lado, e estou a tentar manter-me seguro”, declarou.

Bobi Wine explicou ainda que a falta de informações claras sobre o seu paradeiro resultou de um desligamento nacional da internet, o que contribuiu para rumores de que teria sido raptado. “Dada a confusão que aconteceu na nossa casa à noite, e dado que ninguém tem permissão para aceder à residência, os nossos vizinhos concluíram que tinham conseguido raptar-nos e espalharam a notícia”, esclareceu.

No plano político, o candidato reiterou a sua rejeição total dos resultados eleitorais anunciados pela Comissão Eleitoral, liderada por Simon Byabakama. “Reitero a nossa rejeição completa dos resultados falsos que Byabakama está a ler”, afirmou, acusando as autoridades de manipulação eleitoral, incluindo recheio de urnas, militarização do processo eleitoral, detenção de líderes da oposição e intimidação de funcionários das mesas de voto.

Bobi Wine condenou ainda o que descreveu como o assassinato de cidadãos que tentaram manifestar-se pacificamente contra os resultados eleitorais. “O povo de Uganda tem o direito de protestar em defesa do seu direito soberano de escolher o governo que deseja, e não o tipo de criminalidade que estamos a testemunhar”, declarou.

Segundo o líder da NUP, além do que considera ser um roubo flagrante das eleições presidenciais, as autoridades estariam a utilizar métodos fraudulentos para anular vitórias da oposição em vários círculos eleitorais. “Os candidatos da NUP estão a ser alvo, mesmo quando têm provas claras de que venceram. Isto é uma loucura absoluta”, concluiu.

A situação em Uganda continua a gerar forte preocupação internacional, num contexto de denúncias de repressão política, restrições às liberdades civis e contestação aos resultados eleitorais.

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