Sasol regista avanços operacionais apesar da redução no fornecimento de gás de Moçambique

A multinacional sul-africana Sasol anunciou os resultados referentes aos primeiros seis meses do exercício financeiro encerrado em 31 de Dezembro de 2025, destacando progressos operacionais relevantes em diferentes mercados, apesar da redução na produção e fornecimento de gás natural proveniente de Moçambique.

Segundo o portal Engineering News, no seu mais recente relatório semestral, a Sasol informou que a planta de destoning no sul de África atingiu operação benéfica em Dezembro de 2025, um marco que deverá melhorar a qualidade do carvão utilizado no complexo industrial de Secunda e reforçar a estabilidade produtiva naquele mercado estratégico.

Em paralelo, a unidade integrada de produção de polietileno em Louisiana, nos Estados Unidos da América, foi retomada após um longo período de paragem, destinado a trabalhos de manutenção e optimização, contribuindo para o reforço da capacidade operacional no segmento químico internacional.

            Produção de gás em Moçambique em queda temporária

Apesar destes avanços, o desempenho operacional da Sasol em Moçambique registou uma redução na produção de gás em comparação com o trimestre anterior. A empresa atribui esta quebra à declinação natural das reservas, no âmbito do acordo de partilha de produção dos campos de Pande e Temane.

Este declínio teve impacto no abastecimento de gás às operações de Secunda, que dependem fortemente do gás moçambicano para suporte energético e processos industriais integrados, através da infra-estrutura que liga Moçambique ao mercado regional.

A Sasol assegura, no entanto, que esta situação é temporária, prevendo uma retoma gradual da produção nos próximos seis meses, à medida que as actividades de extracção e desenvolvimento do projecto de partilha de produção forem intensificadas.

A gestão da empresa garantiu que o fornecimento de gás e carvão continua a ser gerido de forma integrada, com o objectivo de sustentar as operações e maximizar valor ao longo da cadeia produtiva.

                  Refinaria Natref e divisão química com desempenhos distintos

No sector de refinação, a Sasol destacou melhorias operacionais na refinaria conjunta Natref, em Rustenburg, que resultaram em maiores volumes de venda de combustíveis e numa maior colocação de produtos em segmentos de maior margem, em linha com a estratégia comercial definida para o período.

Já no segmento químico internacional, o desempenho foi pressionado por condições de mercado desfavoráveis, marcadas pela queda dos preços do etileno e de matérias-primas como o óleo de palma, conduzindo a receitas mais baixas. Em contraste, a divisão de químicos em África registou um aumento dos volumes de vendas, sustentado por melhorias operacionais e um processo contínuo de ramp-up.

                 Descarbonização e energia integrada

Durante o trimestre, a Sasol comissionou o terceiro e último boiler de baixa emissão de carbono na Natref, reforçando a fiabilidade operacional e os esforços de descarbonização, ao mesmo tempo que avança com o programa de encerramento e “mothballing” de determinadas unidades no negócio internacional de químicos.

No final de Novembro de 2025, a entidade reguladora de energia da África do Sul aprovou o pedido de licença de comercialização de electricidade da Sasol, que passará a operar sob a designação Nomusize, um passo estratégico no reforço da sua presença no sector integrado de energia.

Face às incertezas macroeconómicas globais e aos riscos geopolíticos, a Sasol reafirmou que continuará a adoptar uma abordagem proactiva, recorrendo a instrumentos de cobertura financeira para mitigar a exposição às flutuações dos preços do petróleo e das taxas de câmbio.

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