Rumores sobre agravamento da saúde de Ramzan Kadyrov levam Kremlin a ponderar sucessão na Chechênia

 

Moscovo / Grozny – Circulam rumores crescentes sobre o agravamento do estado de saúde de Ramzan Kadyrov, líder da República da Chechênia, levantando especulações de que o Kremlin já estará a considerar cenários de sucessão para um dos cargos regionais mais sensíveis da Federação Russa. A informação foi avançada pela agência estatal ucraniana Ukrinform, citando uma fonte da Direcção Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia.

De acordo com a fonte, que falou sob condição de anonimato, Kadyrov estaria a submeter-se a sessões de diálise, sem que os médicos tenham apresentado previsões claras sobre a evolução do seu estado clínico. O dirigente estaria internado num hospital privado na Chechênia, onde membros do seu clã familiar, incluindo parentes vindos do estrangeiro, se encontram reunidos.

Ausência pública e sinais de fragilidade
O tratamento médico de emergência terá aumentado a preocupação nos bastidores do poder russo, sobretudo após Kadyrov não aparecer em público há mais de uma semana. A sua última aparição conhecida foi marcada pelo uso de uma bengala, alimentando especulações sobre o seu estado físico.

Até ao momento, nem o Kremlin nem as autoridades chechenas emitiram qualquer confirmação oficial sobre o estado de saúde do líder.

Busca por sucessor ganha força

Segundo a Ukrinform, a busca por um possível sucessor intensificou-se, com vários nomes a serem considerados nos círculos do poder russo. Entre os potenciais candidatos estão:

  • Magomed Daudov, alto dirigente checheno e aliado próximo

  • Apti Alaudinov, comandante com influência militar

  • Akhmat Kadyrov, filho mais velho de Ramzan Kadyrov

A decisão final, sublinham as fontes, caberá exclusivamente ao presidente russo Vladimir Putin.

Nomeações familiares alimentam acusações de nepotismo

Na semana passada, foi anunciado que Akhmat Kadyrov, de 20 anos, foi nomeado vice-chefe interino do governo da Chechênia, acumulando funções com o cargo de Ministro dos Desportos. A decisão foi amplamente interpretada como um movimento de preparação para a sucessão, desencadeando acusações de nepotismo.

Em 2023, Kadyrov já havia nomeado outro filho, Adam Kadyrov, como chefe de segurança, decisão que gerou controvérsia internacional após alegações de abuso contra um prisioneiro.

Segundo o Moscow Times, pelo menos 96 familiares de Kadyrov terão sido nomeados para cargos públicos ou em empresas estatais desde que assumiu o poder, em 2007.

Um aliado-chave de Putin sob escrutínio internacional

Ramzan Kadyrov governa a Chechênia há quase duas décadas e é frequentemente acusado por críticos e organizações de direitos humanos de administrar a república como um feudo pessoal. ONG internacionais acusam-no de desaparecimentos forçados, tortura, perseguição de minorias e execuções extrajudiciais — acusações que o dirigente sempre negou.

Em 2021, foi alvo de sanções dos Estados Unidos por alegadas violações de direitos humanos.

Kadyrov é também um aliado estratégico de Vladimir Putin, tendo apoiado publicamente a anexação da Crimeia e a invasão russa da Ucrânia. Forças chechenas têm participado activamente no conflito ao lado das tropas russas.

Incerteza sobre o futuro da Chechênia

O eventual agravamento do estado de saúde de Ramzan Kadyrov levanta dúvidas sobre a estabilidade política da Chechênia e sobre a capacidade de Moscovo manter o controlo absoluto da república sem a figura do seu líder mais leal e temido.

Até ao momento, todas as informações permanecem baseadas em fontes não oficiais, num contexto marcado por forte opacidade política e informativa.

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