RENAMO rejeita ultimato de desmobilizados e garante defesa da liderança de Ossufo Momade

O Mobilizador Nacional da RENAMO, Geraldo Carvalho, reagiu com firmeza ao ultimato de seis meses lançado por um grupo de desmobilizados que exige a renúncia do presidente do partido, Ossufo Momade, afirmando que a organização não cederá a pressões que considera ilegítimas e contrárias aos estatutos.

Falando em conferência de imprensa, Carvalho garantiu que a actual liderança conta com o apoio das bases e assegurou que o partido está preparado para responder politicamente ao que classificou como uma tentativa de desestabilização interna.

“Vamos mobilizar os nossos jovens, os nossos quadros, amigos do partido, religiosos e até internautas para defendermos a casa”, declarou, sublinhando que o Departamento Nacional de Mobilização está em prontidão para salvaguardar a integridade da RENAMO.

Segundo o dirigente, o grupo que contesta a liderança está a actuar à margem da lei e dos estatutos do partido, utilizando indevidamente símbolos e a imagem da RENAMO para promover uma campanha de descrédito contra os seus órgãos e dirigentes.

“Estão a usar símbolos do Partido da RENAMO e a desacreditar os seus quadros, os seus órgãos e até a história do partido”, acusou.

Geraldo Carvalho afirmou ainda que a situação se agravou com ameaças públicas feitas pelos contestatários, incluindo a imposição de prazos para a saída de Ossufo Momade, associando este tipo de actuação a episódios de dissidência do passado, como a antiga Junta Militar.

Congresso condicionado por estatutos e calendário eleitoral

Relativamente à exigência de um novo congresso, o Mobilizador Nacional esclareceu que existem regras estatutárias claras que inviabilizam a sua realização imediata. Carvalho recordou que o congresso ordinário da RENAMO ocorre de cinco em cinco anos e que a proposta de regulamento interno em discussão estabelece que é vedada a realização de congressos em ano eleitoral.

O dirigente acrescentou que o próprio Ossufo Momade já manifestou publicamente a sua posição quanto ao futuro político.

“O General já disse claramente que não vai concorrer à sua sucessão”, afirmou, considerando que tal declaração retira fundamento à urgência defendida pelo grupo dissidente.

Críticas à instrumentalização dos desmobilizados do DDR

Carvalho criticou ainda o que descreveu como instrumentalização política dos desmobilizados do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), acusando o grupo contestatário de explorar a vulnerabilidade social desses cidadãos para fins políticos.

“Aproveitar a pobreza do desmobilizado para instrumentalizá-lo é algo que estamos a ver com este grupo”, lamentou.

O Mobilizador Nacional questionou igualmente a postura do Estado e de alguns órgãos de comunicação social, que, segundo ele, estariam a ser permissivos face à ocupação de infra-estruturas do partido por pessoas sem legitimidade.

“Não vamos permitir comportamentos que se confundem com golpe interno ou atentado à ordem estatutária do partido”, advertiu.

Apelo à união interna

No final, Geraldo Carvalho apelou à união de todas as estruturas da RENAMO, incluindo a Liga da Mulher e a Liga da Juventude, para proteger o legado histórico do partido.

“Temos o dever de defender os estatutos, os símbolos, o presidente do partido e os ideais de André Matsangaíssa e Afonso Dhlakama”, concluiu, assegurando que qualquer processo de transição será conduzido dentro dos parâmetros legais e estatutários, sem aceitar imposições de grupos que, segundo afirmou, visam apenas “destruir o partido”.

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