Oxford Economics alerta para desvalorização gradual do Metical em 2026 e risco de reestruturação da dívida em Moçambique

 

Oxford Economics alertou que Moçambique poderá enfrentar uma desvalorização gradual do Metical ao longo de 2026, num cenário marcado pela escassez acentuada de reservas em moeda externa e pela sobrevalorização cambial observada nos últimos anos. A informação consta de um relatório sobre as perspectivas macroeconómicas da África Subsaariana, citado pela agência Lusa.

No documento, Moçambique surge ao lado de Angola, Maláui e Senegal entre os quatro países africanos com elevado risco de reestruturação da dívida soberana ou incumprimento financeiro, reflectindo fragilidades persistentes nas contas públicas e no sector externo.

Ajustamento cambial pode ser exigência do FMI

De acordo com a Oxford Economics, a correcção do câmbio em Moçambique poderá integrar as condições impostas nas negociações em curso para um novo acordo de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A consultora antecipa que o entendimento com o FMI possa ser finalizado ainda no primeiro trimestre de 2026, abrindo caminho para novo apoio financeiro ao país.

Os analistas sublinham que o regime cambial actual tem sido sustentado à custa de reservas internacionais limitadas, situação que aumenta a vulnerabilidade externa e reduz a margem de manobra da política monetária.

Pressão regional sobre a dívida pública

Ao nível da África Subsaariana, o relatório identifica uma tendência generalizada de agravamento da pressão sobre a dívida pública, advertindo que os actuais níveis de endividamento estão a comprometer o investimento em sectores essenciais, como educação, saúde e infra-estruturas.

Apesar de uma ligeira redução prevista da dívida pública africana — de 62,5% do PIB em 2024 para 62,1% em 2025 —, a Oxford Economics observa que os níveis permanecem próximos dos registados antes das iniciativas de perdão da dívida dos anos 2000.

Esta leitura é reforçada pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), que estima que, em 2024, os custos do serviço da dívida no continente tenham atingido 163 mil milhões de dólares, representando um aumento de 12% em relação ao ano anterior.

Crescimento económico revisto em baixa

No caso específico de Moçambique, a consultora reviu em baixa a previsão de crescimento económico para 2026, de 3,8% para 3,3%, reflectindo constrangimentos financeiros, menor espaço fiscal e riscos associados à evolução do sector externo. Para Angola, a estimativa de crescimento foi igualmente ajustada, de 3,2% para 2,8%.

Reservas externas limitadas agravam tensões cambiais

Dados recentes do Banco de Moçambique indicam que as reservas internacionais líquidas continuam em níveis reduzidos, limitando a capacidade de intervenção da autoridade monetária no mercado cambial. Esta pressão resulta de uma combinação de factores, incluindo:

  • Elevado serviço da dívida pública externa

  • Aumento das necessidades de importação

  • Maior dependência do endividamento interno para financiar o Orçamento do Estado

Paralelamente, o Estado enfrenta obrigações externas crescentes, nomeadamente pagamentos a credores multilaterais e comerciais, o que tem intensificado as tensões no mercado de divisas e alimentado expectativas de ajustamento do Metical.

Acordo com o FMI visto como decisivo

Neste contexto, a conclusão das negociações com o Fundo Monetário Internacional é considerada crucial para restaurar a confiança dos doadores, aliviar a pressão sobre as reservas em moeda externa e melhorar a sustentabilidade da dívida pública em Moçambique.

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