Manuel de Araújo recompõe executivo municipal de Quelimane com antigos vereadores e gera controvérsia

Menos de duas semanas após a demissão em bloco do elenco executivo municipal, o presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, voltou a apostar em figuras já conhecidas da edilidade para recompor a sua equipa, numa decisão que está a gerar intenso debate político e social na cidade.

Através de despachos separados, datados de 12 de janeiro, o edil nomeou Cândido Supião, Álvaro Passo e Leonardo Botão para integrarem a nova estrutura do executivo municipal.
Cândido Supião passa a responder pela Vereação de Fiscalização, Transporte e Gestão da Frota Municipal, Álvaro Passo assume o pelouro das Actividades Económicas, enquanto Leonardo Botão fica responsável pela Planificação e Desenvolvimento Autárquico.

O único estreante no novo elenco é Egídio Mangoma, que passa a dirigir a Vereação de Urbanização e Infra-estruturas.

Falta de renovação levanta críticas

A opção do edil por antigos vereadores, alguns dos quais já haviam sido afastados em mandatos anteriores, está a ser interpretada por sectores da sociedade civil como um sinal de ausência de renovação política e de escassez de soluções estruturais para os problemas que afetam a autarquia.

O caso que mais polémica tem gerado envolve Cândido Supião, que regressa exatamente ao mesmo pelouro do qual havia sido exonerado há cerca de duas semanas. A recondução levanta interrogações quanto às reais motivações da exoneração anterior e à coerência das decisões tomadas pelo presidente do Conselho Municipal.

Limitações internas e centralização de decisões

Nos círculos políticos locais, cresce a perceção de que Manuel de Araújo enfrenta limitações internas na formação de um novo elenco executivo, sendo forçado a recorrer a quadros da sua estrita confiança, mesmo quando estes carregam um histórico de exonerações e reconduções controversas.

Analistas consideram que esta prática pode indiciar uma centralização excessiva das decisões e um défice de quadros técnicos alternativos no seio da edilidade, fragilizando a capacidade de inovação e resposta aos desafios urbanos e financeiros do município.

Contradição com justificações anteriores

Recorde-se que, aquando da demissão em massa do anterior executivo, Manuel de Araújo justificou a medida como uma forma de reduzir os encargos financeiros associados ao pagamento de salários e subsídios. A rápida recomposição do elenco, com o regresso de antigos vereadores, levanta agora dúvidas sobre a eficácia e coerência dessa estratégia.

A nova configuração do executivo municipal de Quelimane surge, assim, sob forte escrutínio público, num momento em que a cidade enfrenta desafios significativos ao nível da governação urbana, finanças municipais e prestação de serviços à população.

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