Khama denuncia intimidação militar e repressão eleitoral no Uganda

 

O antigo Presidente do Botsuana, Ian Khama, denunciou graves irregularidades no processo eleitoral do Uganda, afirmando que a votação foi marcada por intimidação militar, prisões em massa de apoiantes da oposição, desligamento da internet e pelo isolamento forçado do líder oposicionista Bobi Wine.

Segundo Khama, à medida que a contagem dos votos teve início, Bobi Wine foi colocado sob prisão domiciliária, com a sua residência cercada por forças de segurança e todas as formas de comunicação cortadas, impedindo-o de contactar a sua equipa, observadores eleitorais e a comunidade internacional.

“O isolamento de Bobi Wine durante a contagem dos votos levanta sérias dúvidas sobre a transparência e credibilidade do processo eleitoral”, afirmou Khama.

Internet desligada para ocultar alegada fraude

De acordo com o antigo estadista botsuanês, o desligamento da internet em todo o país teve como objectivo bloquear mecanismos independentes de contagem e verificação dos votos, bem como ocultar alegadas fraudes eleitorais.

Khama sublinhou que, apesar de a maioria dos cidadãos ugandeses desejar uma transição democrática, o aparelho do Estado foi utilizado para silenciar a dissidência política, recorrendo à força militar e a medidas repressivas.

                          Autoritarismo e crise económica

O ex-chefe de Estado atribuiu ainda as dificuldades económicas persistentes no Uganda a anos de governação autoritária, que, segundo ele, limitaram oportunidades, agravaram o desemprego e afectaram de forma desproporcional a juventude ugandesa, principal força demográfica do país.

“A repressão política e a ausência de instituições democráticas fortes têm um impacto directo na economia e no futuro dos jovens”, alertou.

                      Silêncio internacional sob críticas

Ian Khama criticou duramente a passividade de organizações regionais africanas e da comunidade internacional, acusando-as de falharem na defesa dos princípios democráticos.

Segundo o ex-presidente, o silêncio dos líderes regionais e globais perante a situação no Uganda encoraja a repressão estatal e cria um precedente perigoso para outros países africanos.

“Quando os líderes escolhem o silêncio, estão a legitimar a repressão e a enfraquecer a democracia em todo o continente africano”, advertiu.

                         Alerta para a democracia em África

Khama concluiu que a falta de uma resposta firme aos acontecimentos no Uganda não afecta apenas o país, mas ameaça a consolidação democrática em África, ao normalizar práticas autoritárias e violações de direitos civis e políticos.

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