No âmbito da operação, foram detidos 3.744 suspeitos, dos quais mais de 1.800 por crimes directamente relacionados com tráfico de seres humanos e contrabando de migrantes. As autoridades conseguiram ainda proteger 4.414 potenciais vítimas de tráfico humano e identificar 12.992 migrantes em situação irregular. Foram abertas mais de 720 novas investigações, muitas das quais continuam em curso.
Segundo um comunicado da Interpol a que tivemos acesso, Moçambique surge implicado num caso de recrutamento de uma menor de oito anos para tráfico de órgãos, um dos episódios mais graves identificados durante a operação.
Em África, vários países registaram casos de grande expressão. No Mali, por exemplo, foram identificadas 47 mulheres nigerianas vítimas de tráfico humano, levadas para aquele país com fins de exploração sexual.
A coordenação entre a Interpol e as autoridades nacionais permitiu ainda a intercepção de diversas embarcações usadas no transporte ilegal de migrantes. No Senegal, foi intercetada uma embarcação sobrelotada com 245 pessoas, enquanto na Argélia as autoridades travaram um grande bote inflável transportando 71 pessoas de várias nacionalidades, incluindo sete menores. Casos semelhantes foram igualmente registados em Marrocos e na Guiné-Bissau.
O relatório destaca que, em países africanos como Benim, Burkina Faso, Congo, Costa do Marfim, Gana, Senegal e Serra Leoa, foram desmanteladas redes de tráfico humano organizadas em formato de pirâmide, o que resultou no resgate de mais de 200 vítimas e no encerramento de diversos centros de recrutamento e exploração. Estes esquemas envolvem o aliciamento de vítimas sob promessas de emprego no exterior, a cobrança de elevadas “taxas de recrutamento” e a posterior coerção para recrutar familiares ou amigos.
Fora do continente africano, registaram-se igualmente casos relevantes. No Brasil, as autoridades desmantelaram uma rede transnacional de tráfico de migrantes ligada ao Paquistão, Afeganistão, México e Estados Unidos, tendo sido detido o principal suspeito. No âmbito do processo, foi-lhe imposta uma restrição de viagem e congelados 1,1 milhão de dólares em bens, incluindo imóveis, viaturas, embarcações, aeronaves e criptomoedas.
O documento da Interpol sublinha ainda que o crime migratório apresenta uma tendência crescente para o Sul, fenómeno associado ao endurecimento das políticas migratórias dos Estados Unidos desde o regresso de Donald Trump à Presidência.

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