A decisão está consagrada no Diploma Ministerial n.º 132/2025, que redefine as regras de importação de cereais e centraliza no Estado uma função até então desempenhada por operadores privados.
Fim do mercado aberto e centralização estatal
Até ao final de 2025, o abastecimento de arroz e trigo em Moçambique era assegurado quase exclusivamente por empresas privadas licenciadas, que importavam diretamente dos mercados asiáticos, sul-africanos e europeus. Com o novo enquadramento legal, esse modelo dá lugar a um sistema de importação centralizada, no qual o ICM passa a ser o único comprador externo autorizado.
Segundo o calendário oficial:
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A importação de arroz passa a ser exclusiva do Estado a partir de 1 de Fevereiro de 2026
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O trigo entra no mesmo regime a partir de 1 de Maio de 2026
Os operadores privados deixam de importar diretamente e passam a actuar apenas como distribuidores internos, adquirindo o produto ao ICM mediante quotas e regras definidas pelo Estado.
Controlo de divisas e autossuficiência alimentar
Fontes governamentais apontam dois objectivos centrais para a medida:
1. Protecção das reservas em moeda externa
A importação de cereais tem sido uma das maiores fontes de saída de divisas. Ao concentrar as compras, o Governo espera negociar preços mais competitivos por volume, reduzir a fragmentação das importações e controlar o fluxo cambial.
2. Estímulo à produção nacional
Com a limitação das importações privadas, o Executivo pretende forçar a absorção da produção local, sobretudo do sector familiar e das pequenas e médias moagens, que historicamente não conseguem competir com os preços baixos do arroz e do trigo importados.
O novo regime prevê ainda a aplicação de quotas restritivas, de forma a criar espaço para o escoamento da produção interna.
Reacções do sector privado
Empresas que investiram em logística internacional, contratos directos com fornecedores e infra-estruturas portuárias terão de se registar junto do ICM e disputar quotas de revenda, perdendo autonomia comercial.
Desafios logísticos e risco de rupturas
Analistas alertam que o sucesso da reforma dependerá essencialmente da capacidade operacional e logística do ICM, nomeadamente:
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Gestão eficiente de contratos internacionais
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Garantia de transporte e armazenamento
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Distribuição regular aos mercados nacionais
Qualquer falha poderá resultar em rupturas de stock, num contexto em que a procura urbana por cereais continua a crescer.
Equilíbrio entre protecção agrícola e consumo urbano
A centralização da importação de arroz e trigo marca uma viragem protecionista clara na política económica moçambicana. O desafio do Governo será equilibrar a protecção da agricultura nacional com a necessidade de garantir abastecimento regular e preços acessíveis, sobretudo nas grandes cidades.
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