Filho de Maduro diz que decisões do governo interino seguem plano aprovado antes da captura do presidente pelos EUA

Caracas – Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente venezuelano Nicolás Maduro, afirmou que todas as decisões recentes do governo interino da Venezuela, actualmente liderado pela vice-presidente Delcy Rodríguez, fazem parte de um “plano previamente aprovado” pelo chefe de Estado antes de ser capturado pelas autoridades dos Estados Unidos.

A declaração foi feita na sexta-feira, 9 de Janeiro, durante uma manifestação política em Caracas. Segundo Maduro Guerra, que é também deputado da Assembleia Nacional, a actual actuação do Executivo segue orientações deixadas pelo presidente.

“Tudo o que está acontecendo, tudo o que estamos fazendo como governo, foi um plano aprovado pessoalmente por Nicolás Maduro”, declarou o parlamentar diante de apoiantes do chavismo.

Plano não detalhado e apelo à unidade nacional

Apesar da afirmação, o filho do líder chavista não esclareceu os detalhes do alegado plano, nem explicou quais medidas concretas teriam sido previamente delineadas. No entanto, aproveitou o momento para apelar à unidade de todos os sectores da sociedade venezuelana, num contexto de elevada instabilidade política e institucional.

Mudança de rumo após captura do presidente

Desde a captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, por forças norte-americanas no sábado, 3 de Janeiro, o Governo em Caracas tem demonstrado uma mudança significativa de posicionamento geopolítico, aproximando-se dos interesses da administração de Donald Trump.

Entre os principais sinais dessa reorientação política, o governo venezuelano anunciou a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos, rompidas há vários anos devido a sanções, disputas eleitorais e acusações mútuas.

Negociações sobre o petróleo e interesses de Washington

Sob a liderança interina de Delcy Rodríguez, Caracas confirmou ainda a existência de negociações com Washington em torno do petróleo venezuelano, sector estratégico que tem sido apontado por Donald Trump como central para o seu interesse em administrar temporariamente a Venezuela, no quadro de uma eventual transição política.

O petróleo venezuelano tem sido historicamente alvo de sanções e restrições comerciais impostas pelos EUA, sendo considerado um dos principais factores da crise económica do país.

Compromissos comerciais com os Estados Unidos

Adicionalmente, o presidente norte-americano revelou que a Venezuela teria assumido o compromisso de exportar exclusivamente produtos fabricados nos Estados Unidos, numa decisão que, a confirmar-se, poderá representar uma alteração profunda na política comercial venezuelana e gerar controvérsia interna.

Até ao momento, o governo interino de Caracas não divulgou detalhes oficiais sobre os termos exactos desses compromissos.

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