O Ministério da Educação e Cultura (MEC) reafirmou o compromisso do Governo moçambicano em assegurar que todas as crianças em idade escolar estejam integradas no Sistema Nacional de Ensino, numa altura em que se aproxima o arranque do ano lectivo de 2026. No entanto, os dados mais recentes indicam que o sector enfrenta desafios consideráveis para alcançar as metas de matrícula definidas.
Em entrevista à Televisão de Moçambique (TVM), o porta-voz do MEC, Silvestre Dava, defendeu que nenhuma criança em idade escolar deve permanecer fora da escola, sublinhando que o acesso universal à educação continua a ser uma prioridade estratégica do Executivo.
“O Ministério está empenhado em garantir que todas as crianças tenham acesso à educação de qualidade, independentemente da sua origem ou localização geográfica”, afirmou Dava, apelando aos pais e encarregados de educação para procederem à matrícula atempada das crianças.
Meta distante do cumprimento
Apesar das garantias oficiais, os números divulgados pelo próprio sector revelam que, de uma meta projectada de cerca de 1.620.000 novos ingressos na 1ª classe em 2026, apenas 72% foram matriculados até ao momento. Este défice levanta preocupações quanto ao risco de exclusão escolar, sobretudo nas zonas rurais e comunidades mais vulneráveis.
Entre os principais constrangimentos persistem a insuficiência de escolas, salas de aula e professores, factores que continuam a limitar a capacidade de absorção do sistema educativo em várias regiões do país.
Ainda assim, o porta-voz do MEC assegurou que o sector está tecnicamente preparado para receber todos os alunos no início do ano lectivo, referindo que decorrem acções adicionais de mobilização comunitária para incentivar o registo das crianças ainda fora do sistema.
Educação como desafio estrutural
Num país onde o acesso à educação permanece um desafio estrutural, o cumprimento da meta de matrículas para 2026 representa um teste decisivo à capacidade do Estado de converter compromissos políticos em resultados concretos.
O sucesso ou fracasso deste processo terá impacto directo no futuro educativo e social de milhões de crianças moçambicanas, num contexto em que a educação é apontada como pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades.

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