Informe à Nação: Daniel Chapo aponta “confiança renovada” e projeta independência económica para Moçambique

 

Presidente destaca reformas económicas, diplomacia ativa, investimentos estratégicos e combate à corrupção, reconhecendo ao mesmo tempo desafios na segurança e reconstrução pós-desastres.

Num discurso que marcou o encerramento do seu primeiro ano de mandato, o Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou na Assembleia da República o Informe sobre a Situação Geral da Nação, descrevendo um percurso de resiliência, transição e reconstrução e classificando o atual cenário como de “confiança renovada, rumo a um desenvolvimento sustentável e inclusivo”.

Chapo recordou o contexto adverso em que assumiu a presidência, em 15 de janeiro de 2025, com um PIB de 4,87% e inflação elevada, pressionando o poder de compra das famílias. O impacto, segundo o Chefe de Estado, foi também social, com prejuízos avaliados em 27,4 mil milhões de meticais devido às manifestações, além dos danos provocados pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude.

“O que deveria impulsionar o desenvolvimento teve de ser transformado em resposta à destruição”, afirmou, explicando que fundos originalmente destinados a água e medicamentos foram redirecionados para reconstrução.

          Reformas económicas e grandes projetos

No setor dos hidrocarbonetos, o Presidente sublinhou que os grandes projetos energéticos avançam de forma sincronizada, destacando a coordenação da ENH e parcerias com empresas internacionais, incluindo a ExxonMobil, que financiará um Centro Tecnológico de 40 milhões de dólares no Zimpeto.

A estabilidade dos projetos na Bacia do Rovuma, assim como das operações da TotalEnergies e da ENI, é vista como determinante para a balança comercial futura.

Na indústria, o Executivo aposta na Indústria Transformadora, com 22 novas unidades integradas no programa de fortificação de alimentos e cadeias de valor voltadas para reduzir importações. Chapo reforçou a importância de uma gestão rigorosa de empresas-chave como a Mozal e a HCB, para garantir distribuição inclusiva da riqueza.

         Administração pública e justiça

Sobre a Administração Pública, Chapo reafirmou o compromisso com a moralização do Estado. Apesar das restrições de tesouraria, o Governo garantiu salários atempados, implementando um Contrato-Programa para avaliar o desempenho dos gestores.

A criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital trouxe ganhos visíveis, como a redução de 70% nos atrasos da LAM e a digitalização de serviços públicos através da Plataforma Única de Serviços do Estado.

Na luta contra a corrupção, o Presidente destacou a Central de Aquisições do Estado, a transferência do SERNIC para a Procuradoria-Geral e o aumento da capacidade de investigação. Em 2025, foram tramitados 426 processos ligados a crimes financeiros.

       Diplomacia económica e financiamento externo

A agenda externa resultou em compromissos considerados palpáveis, incluindo 20 mil milhões de dólares do Qatar para energia e turismo, um memorando de 1,8 mil milhões de dólares para a Saúde (2026–2030), uma linha de crédito de 500 milhões de euros para empresas e o Plano de Recuperação e Crescimento Económico de 2,75 mil milhões de dólares, dos quais 800 milhões destinam-se a PMEs.

         Segurança e questões sociais

No campo da segurança, o Presidente reconheceu desafios persistentes, mas salientou avanços no combate ao terrorismo em Cabo Delgado e Nampula, bem como na luta contra raptos — dos dez casos registados em 2025, nove vítimas regressaram às famílias. Foi ainda inaugurado o primeiro laboratório de DNA forense do país.

No setor social, o informe apontou a redução da pobreza de 70% para 40% nas últimas décadas, a distribuição de 20 milhões de livros escolares e a construção de 18 novos hospitais distritais.

       Visão de futuro: independência económica

Chapo defende um modelo focado na transformação local dos recursos naturais, redução da dependência de exportações brutas e criação de cadeias de valor que gerem emprego qualificado. O investimento no capital humano é apresentado como prioridade estratégica.

Segundo o Presidente, se todas as promessas se concretizarem, Moçambique poderá beneficiar de cerca de 75 biliões de dólares, consolidando-se como destino seguro e atrativo para grandes investimentos.


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