Maputo — Parlamento, 2025 — No seu primeiro informe sobre o Estado Geral da Nação, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou que o actual Governo herdou um país fragilizado por crises económicas, manifestações violentas, terrorismo em Cabo Delgado e destruição provocada pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude.
Chapo afirmou que, ao assumir funções a 15 de Janeiro de 2025, encontrou um Estado funcional, mas profundamente afectado por instabilidade social e incerteza económica, numa conjuntura que ameaçava a confiança dos cidadãos.
Segundo dados citados pelo Chefe de Estado, a média anual da inflação de 2024 foi de 3,20%, mas o país registou uma queda severa do PIB de 4,87% no quarto trimestre, acompanhada de perda do poder de compra e recessão.
Manifestações violentas deixaram prejuízos de 27,4 biliões de meticais
Chapo responsabilizou as manifestações de Outubro de 2024 ao primeiro trimestre de 2025 por danos significativos:
1.733 estabelecimentos comerciais destruídos
339 edifícios públicos danificados
vandalização de infraestruturas críticas, incluindo energia, telecomunicações, bombas de combustível e portagens
Mais de 50 mil postos de trabalho foram perdidos e recursos do Estado tiveram de ser desviados para reconstrução.
“O que deveria financiar água, energia e hospitais foi redireccionado para reparar escolas queimadas e armazéns destruídos”, afirmou Chapo.
Impacto dos ciclones: milhões afectados
Os ciclones Chido, Dikeledi e Jude provocaram:
1,8 milhão de pessoas afectadas
313 óbitos
destruição de mais de 414 mil casas
danos em 207 hospitais e 1.822 escolas
perda em 1,2 milhão de hectares agrícolas
Economia: oposição aponta fragilidade estrutural
O deputado Mangaze Felizardo, citado pela Comissão do Plano e Orçamento, reconheceu o crescimento económico entre 2,5% e 2,7% em 2025, mas considerou-o insuficiente para reduzir a pobreza.
Para o parlamentar, o Governo não pode culpar apenas terrorismo, clima e protestos:
“O problema central continua a ser a dependência de megaprojectos, baixa industrialização e elevada informalidade”, disse.
Reformas, fundos e nova visão económica
Chapo anunciou que o mandato será guiado por:
disciplina macroeconómica
industrialização
gestão rigorosa de recursos
Destacou a criação de:
Gabinete Central de Reformas e Projectos Estratégicos
Banco de Desenvolvimento de Moçambique (em fase de implementação)
Fundo de Desenvolvimento Económico e Local (FDEL) — 824,6 milhões MZN, 60% para jovens
Fundo de Garantia Mutuária
Fundo de Recuperação Económica (FRE)
Fundo Catalítico de 100 milhões USD
Debate sobre independência económica
O activista social Sismo Eduardo alertou que Moçambique ainda está longe de alcançar independência económica:
“O país continua dependente de dívidas e apoios externos. Sem gestão racional dos recursos, não haverá transformação real.”
Defendeu reformas profundas, redução da dependência externa e investimento sólido em educação e produtividade.
Conclusão do informe
Chapo assegurou que o Governo continuará focado em reconstrução, estabilidade económica e inclusão social.
“Não vamos vergar. Jurámos servir o povo moçambicano”, afirmou.
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